Metrópole morta

I





Rua vazia





Caminho na madrugada;

Na rua nenhuma alma penada.

Caminho na rua;

A desgraça da rua é toda sua.





Passo por comércios fechados;

Moradores desesperados.

Olhos assustados;

e pais preocupados.

Escondem seus filhos.





Caminho por "rotas perdidas".

A violência aqui é sentida.

Perde-se vida.

Viagens só de ida.





Caminho passando por casas.

Fechadas e trancadas.

Uma democracia errada.





Cidades mortas.

Leis tortas.

Metrópoles mortas...





II





O vaso no quintal





Eu tenho um vaso de flor no quintal.

Muito lindo nada banal.

Amo meu vaso no quintal.

Nele têm orquídeas lindas, tudo aromal.





Agora só restou saudade do vaso,

o qual não era raso.

Ele foi furtado.

Passou o arrastão,

e o levou sem deixar nenhum tostão.





III





Condado de Alburquerque





Ali, em algum lugar do sul do país.

Existe um condado, como flor-de-lis,

lugar muito bonito de natureza.

Todo arborizado que proeza.





Entretanto há bandidos, eles

aqui existem de todos os tipos todos unidos.

Tem o cheiroso e o fedido, eles

são o que mais há neste condado.





A lei não chega no condado, pois

os xerifes preferem tirar uma soneca.

Sim, e no alto da torre da igreja sobe,

aquele som parecendo umas rabecas.

Uma tremenda sinfonia de vadios,

aqui que sofre é os gentios;

neles a chibata da lei desce e sobe.





Lei aqui é vadiagem,

ordem é sacanagem.





Entretanto dos vagabundos,

mais hilário e o malandro. Esses

tipos são uma comédia, não possuem

uma moeda no bolso e ainda sim,

sente-se os donos do mundo.





Não são presos esses tipos, pois

a cadeia está lotada e fardada

a desordem. Prende-se um hoje para

amanhã ser livre é uma palhaçada.

Um bandido aqui almoça melhor

que muita gente de bem. Come

até empanturrar-se com dinheiro

alheio. Um inútil financeiro.





Vamos sair do sistema carcerário.

Pulemos ao sistema de saúde.

Mas qual? Saúde não há aqui,

pois olhai minha boca sendo que só

dois dentes eu possuo nela.

Pelos corredores aqui, ali e acolá;

somente enfermos e poucos enfermeiros.

Porque diz o governo "falta dinheiro".





O condado também possui péssimas leis

e administradores. Aqui " quem tem

um olho é rei", "ainda bem

que possuo dois". O prefeito

daqui é o mais imperfeito.





Ontem fui ao hospital marcar uma

consulta. Tive sorte consegui uma,

mas ela ficou para o ano que vem.

Tomará que eu não esteja morto

até este tempo. Afinal tem até

uns estroinas que Brandão "o mundo

acabará no dia 21 de dezembro".





Ora essa, o mundo não vai acabar

é o condado que vai desmoronar.

Todos os dias me pergunto o que

estou fazendo neste "anarquizal";

desse condado moderno, mas que

vive na era medieval.





O asfalto está que é puro buraco,

os prédios estão um caco.

E o prefeito ontem falou de uma

Festa. O povo disse "mais uma".

Ele quer uma enorme festa, para

mim ele não tem o que fazer.

"Ora, homem vai arrumar um lazer."





Mas o condado ainda tem bons

frutos um deles é uma tal de

"escola unitária", nela tem bons

professores que lutam pela educação.

Conheci alguns que me ajudaram.

Ensinaram e muito me educaram.

(só não ensinaram a escrever direito)





Se não fosse por eles eu moraria na rua.

Professor esta vitória não é minha, ela é sua.





Carta de Carlos Antônio Missioneiro.

Vulgo Chico Missioneiro.





IV





Governo remendado





"Está fundada a política do remendo".

Calma, não precisa dizer "não entendo".

Eu explico esse método de administrar.

Vou citar para melhor explicar.





Ora, se morreu um policial em serviço.

Remende dando dinheiro para sua família.

Se o ensino fundamental esta uma "porcaria".

Remende dando mais um ano dessas “porcarias".





Se os professores são mau pagos por seus serviços.

Remende dando trinta reais de aumento.

Se a corrupção entrou no parlamento.

Remende elegendo um jumento.





De tanto remendo o país está assim

uma colcha de retalhos.

Que os pontos se abrem e aparecem novos talhos.





V





Eldorado – Pavimentação





O caminho de ouro, não é feito.

Só nos livros é assim. A verdade

é que, o caminho, de sangue é feito.

Porque Cortez o fez assim, é realidade.





Retira essa fantasia. Foi pavimentado

deste jeito o caminho para eldorado.

Pagamos com sangue e suor, o preço.

Nessa estrada muitos não retornaram.

E muitos ficam a rezar o terço,

para as almas que não retornaram.





Então se você for por esta estrada,

está avisado dos perigos é do caminho.

Não espere resgate ou carinho,

mas se a estrada estiver fardada;

lamento, é sorte na empreitada.

Lembre-se muito do seu sangue será do caminho.





VI





A colônia





Foi-se um dia uma formiga.

Percorreu o mundo, encontrou amigas

e também inimigas.

Da colônia saiu a formiga.





Enfrentou muitos perigos mortais

e também viu insetos colossais,

os quais a queriam devorar.

Entretanto ela sempre soube se colocar

em seu lugar.





Ela observou riquezas,

que as outras não arriscariam pegar.

Talvez por fraqueza

ou por não saber enfrentar.

Mas essa formiga tinha destreza

e esperteza.





Voltou a colônia e contou as outras.

Como era o mundo atrás dos murros.(pediu para saírem)

Suas parentes é amigas.

Disseram "nos somos apenas formigas"





As outras a repudiaram

e a expulsaram.

Dizendo "és, louca, desvairada.

Acha que vamos botar tudo a perder

nessa empreitada,

a qual é sair de nossa morada."





Ela caminhou e encontrou um lugar

para viver e repousar.

Sim, a formiga ficou amargurada

e triste. Passou o tempo calada.





Um dia um irmã foi a sua casa

e contou o que ocorreu na colônia.

Que as formigas estavam todas mortas.

"Depois que você saiu da colônia

veio um tamanduá-bandeira

e comeu todas as nossas companheiras."





VII





Caja bobo





Olhei um espelho negro.

Vi meu reflexo, superfície escura.

Liguei o aparelho na hora do telejornal.

Nunca vi realidade tão dura,

de acontecimentos cruéis num mundo bestial.





Tentei fazer minha visão celestial,

trocando de canal.

Consegui pular do telejornal para novela.

Morreu minha inteligência,

onde ela ficava sobrou uma vela.

Como é bom ouvir mentira

quando não temos inteligência.





VIII





Hino da Ruritânia





Resista você não é Caim, você é Abel.

Você sacudirá o castelo de Zenda.

Resista você é divino, você não é o Helel.

Você virará uma lenda.

Resista você é o xerife, você não é o fora da lei.

Você virará rei.

Resista você não é Brutus, você é César .

Você não se distorcerá.





Resista pois você é o "conde de monte cristo"

e hoje o chicote riscará seu corpo.





IX





O rio que caí





Estava eu analisando a queda desse rio.

Vendo que ele já foi mais lindo e reluzente.

Era longe de tanto delinquente.

Era um rio que não fazia frio.





As margens cheias de turistas refrescando-se.

Com as ondas suáveis, as quais eram límpidas.

Podia andar por tudo,

andar sem medo, sem tempo; andar mudo.





Mas tudo mudou.

As águas revoltaram-se, os turistas são atacados.

Por mãos de homem presos a uma doença, todos atados.

Agora passeio lá, mais não dou.





Oh, rio não é apenas você que caí.

É também o turista que saí.





X





O sermão do padre Rocke





Fui amigo de um padre de apelido Rocke,

por pouco tempo. Ele vivia como nobre,

mas era pobre.





Esse padre queria catequizar todo mundo.

Achava todo ímpio imundo.

Dizia "ímpio, não passa de um vagabundo".

Mas bem diz o ditado;

"quem mais limpo se faz mais sujo tem estado."

O caso é que eu sabia das escapadas do padre,

por isso ele me respeitava.

Até o dia em que ele me irritou.





Ora, convidei um dia ele para almoçar,

em minha morada.

Ele aceitou a empreitada

com felicidade, por nossa amizade.





Bem aí começa o problema,

"por que convidei aquela besta".

Ora, quando começou a falar mau de meus discos.

Imbecil não sabia do risco.





Dizia que "era do inferno,

era coisa ruim".

Nesse dia coloquei para fora de casa e era inverno.

E para ele disse"minhas músicas,

estão mais limpas que sua conduta.

Porque elas não compram puta."





Sorte que não tinha o colt do meu velho pai...





XI





O presidente da Tomânia





Presidente que diz ter vindo do oriente.

Um presidente sem dente.

Diz que levou o país a frente,

mas não passa de um demente.





Ele repudia critica.

Diz a todos "sou uma vítima

não me culpem pelo Estado".

Entretanto suas mãos sujas tem estado.





Escrevo a você presidente da Tomânia.

Que em meu Estado passou a infância.

O Estado não é brinquedo para ficar inventado lei.

E você não é rei.

Do povo é só um representante;

para mim nem um montante.



Nenhum comentário:

Todos querem viver um romance

Primeiro ao escrever se deve ter algo a relatar. Alguma historia, relato ou anedota. Se nada há para contar, não se deve escrever; pois po...